
Adolescentes passam cada vez mais tempo em frente às telas. Um estudo demonstrou que mais de 72% dos adolescentes brasileiros passam pelo menos duas horas por dia em frente às telas e cerca de 25% passam mais de quatro horas — um período comparável ao que muitos passam diariamente na escola.
Mas nem todo tempo de tela é igual. Pesquisar para um trabalho ou conversar com amigos e familiares é diferente de passar horas em redes sociais, jogos e vídeos. Por isso, contar apenas as horas não é suficiente para entender se há um problema.
Então, como saber quando o uso começa a se tornar preocupante?
Seu filho está deixando de fazer coisas de que gostava? Fica nervoso se você perguntar o que tanto faz ali? O celular começa a prejudicar o sono, os estudos ou a convivência com outras pessoas?
Para além de identificar o excesso, é preciso entender o que seu filho busca nas telas.
Pesquisas associam o uso problemático de telas a prejuízos na saúde mental, no sono e no comportamento. Mas essa relação ocorre nos dois sentidos.
Um adolescente ansioso, frustrado, solitário ou entediado pode buscar as telas para lidar com as próprias emoções.
Ao se sentir mal, pega o celular e encontra distração e alívio. Porém, quanto mais tempo passa ali, menos investe em atividades importantes, como esportes, amigos, sono e outros interesses.
Com menos experiências capazes de ajudá-lo a lidar com essas dificuldades, o mal-estar tende a continuar.
Assim, cria-se um ciclo: *quanto pior ele se sente, mais busca as telas; e quanto mais depende delas para se sentir melhor, menos desenvolve outras maneiras de lidar com o que sente.*
É por isso que simplesmente retirar o celular pode não resolver o problema, e até criar outros. Por isso, antes de limitar o tempo, procure entender o que seu filho encontra ali.
Observe em quais momentos ele mais busca o celular, procure saber o que ele assiste, com quem conversa, do que gosta e, principalmente, o que está acontecendo fora das telas.
A partir disso, fica mais fácil ajudá-lo a encontrar outras formas de atender às mesmas necessidades. Pode ser uma atividade física, passar mais tempo com amigos, desenvolver um novo interesse ou simplesmente ter alguém com quem conversar.
Nesse processo, uma dificuldade comum aparece: muitos pais dizem que tentam conversar, convidam e demonstram preocupação, mas pouco retorno recebem.
A forma como você se aproxima faz diferença. Não basta que a sua intenção seja ajudar. Seu filho precisa conseguir perceber essa aproximação como interesse e cuidado, não como cobrança e fiscalização.
Você dificilmente conseguirá ajudá-lo a reduzir algo que ocupa tantas horas do dia sem compreender primeiro o que ele encontra ali.
Lembre-se: Onde há excesso, existe uma falta. Não comece por querer reduzir, mas sim aumentar àquilo que tem faltado na vida dele.
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