
Uma comitiva formada por empresários e industriais do setor têxtil e de confecção do Espírito Santo realizou uma imersão empresarial na China, um dos maiores centros produtivos e tecnológicos do mundo. A iniciativa foi articulada pelo Sindicato das Indústrias do Vestuário de Vitória (Sinvest) e pelo Sindicato das Indústrias do Vestuário de Colatina e Região (Sinvesco), com o objetivo central de capacitar o segmento local, promover a troca de conhecimento entre gerações de empresários e fortalecer a competitividade da indústria capixaba.
A delegação reuniu desde jovens empreendedores de marcas voltadas ao streetwear — como Praia Brasil e Florest — até industriais consolidados da produção de jeans, confecção em geral e representantes do polo têxtil de Colatina e região.
A agenda de trabalho concentrou-se nas cidades de Xangai e Guangzhou. Em Xangai, reconhecida como polo econômico e de tecnologia, os empresários acompanharam inovações no varejo, novos modelos de negócios e tendências de consumo. Já em Guangzhou, um dos principais centros industriais e comerciais do país asiático, a programação incluiu visitas técnicas a fábricas, fornecedores de insumos, máquinas têxteis e feiras de materiais de alta tecnologia.
Segundo o sócio-proprietário da marca Praia Brasil, Hugo Verçoza, a imersão proporcionou visões estratégicas tanto no campo produtivo quanto na gestão empresarial.
"A viagem à China foi extremamente proveitosa. Tivemos contato com a cadeia de produção chinesa e com as novas tecnologias, tanto de tecido quanto na parte de maquinário. Também tivemos acesso à cultura e ao desenvolvimento pelo qual aquele país passou, o que é algo realmente inspirador para todos nós como empreendedores. Estreitar esses laços entre o Espírito Santo, o Brasil e a China é fundamental para manter a nossa competitividade a nível global", destacou Hugo Verçoza.
Além do mapeamento de novas matérias-primas e maquinários, a imersão permitiu compreender a dinâmica de consumo, o comportamento do varejo local e as estratégias de escalabilidade da indústria chinesa. As entidades organizadoras avaliam que os contatos comerciais e os conhecimentos técnicos adquiridos durante a missão devem se desdobrar no desenvolvimento de novos produtos, parcerias internacionais e modernização dos processos de fabricação no estado.
A articulação da viagem por meio dos sindicatos patronais — Sinvesco e Sinvest — reforça o papel institucional dessas entidades no apoio ao desenvolvimento industrial regional.
O Espírito Santo possui no setor de confecções uma importante força econômica, na qual Colatina se destaca historicamente como um dos principais polos produtivos de jeanswear e vestuário do Sudeste brasileiro. A integração com o polo criativo e comercial da Grande Vitória tem impulsionado marcas de streetwear e moda praiana a buscarem diferenciação no mercado nacional por meio da inovação de produtos e da eficiência de fornecimento.
A viagem da comitiva do vestuário ocorre em um contexto de forte integração econômica entre o Espírito Santo e a China. O país asiático consolida-se há anos como o principal parceiro comercial dos capixabas no comércio exterior, figurando no topo dos destinos das exportações estaduais — impulsionadas por commodities como minério de ferro, celulose e rochas ornamentais — e como importante origem de bens de capital, máquinas e insumos industriais importados pelo estado.
No âmbito global da moda, a China responde por parcela expressiva da cadeia global têxtil e de maquinário, sendo referência no desenvolvimento de tecidos funcionais, processos automatizados de confecção e soluções de smart manufacturing (manufatura inteligente). A aproximação direta entre a indústria de confecção do Espírito Santo e os centros fabris chineses busca acelerar a absorção dessas tecnologias na cadeia produtiva local.


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