Caros leitores, na nossa coluna de estréia vamos tentar refletir à seguinte dúvida: é possível votar 'errado'? Grosso modo, as pistas dos estudiosos nos guiam para a existência de dois tipos de motivações que explicam a formação do voto: os valores materialistas e os pós-materialistas, embora o personalismo também nos ajude a compreender os resultados das eleições.
Isso quer dizer que, no primeiro caso, o eleitor esteja mais preocupado com questões palpáveis como saneamento básico, linhas de ônibus e creches dentre outros. No segundo caso, a motivação é ideológica ou de causas ligadas às estruturas sociais como a defesa de minorias e de segmentos historicamente marginalizados como os do público LGBTQIA+. Por fim, o tradicional (e perigoso) personalismo busca votos através de narrativas que atribuem qualidades de 'única opção possível' a um candidato - frequentemente são lideranças que ocupam um espaço maior, na mídia e mesmo na psiquê do eleitor, do que seus próprios partidos e aliados.
Obviamente a decisão do voto não obedece estritamente uma linha de motivação única, podendo combinar aspectos de tipos diferentes para que o martelo seja batido pelo votante. Logo, como podemos entender a decisão de cada cidadão? Eu proponho que ao fim, o que realmente importa é a prioridade individual de cada eleitor, sobretudo a percepção de urgência, de forma que o que direciona o voto pode ser aspectos práticos/materiais, ideológicas e personalistas.
Daí, eu faço uma pergunta a você, leitor. O que motivaria o seu voto nesse momento? É a inflação dos alimentos? A qualidade do transporte público? Os impostos? Ou será a necessidade de defender valores mais conservadores ou progressistas? Ou ainda seria a esperança e confiança na capacidade distinta de alguma liderança política?
Claro, longe de mim querer dizer ao leitor como votar 'certo', mas a reflexão sobre o que direciona a sua decisão de voto é necessária. Portanto, encorajo você que me lê a sempre buscar mais e mais informações a respeito do ambiente político que te afeta diretamente, começando pelo nível mais local (sua cidade e estado) e seguindo para o âmbito nacional, onde são tomadas decisões que afetam o país como um todo inclusive em temáticas exclusivas como a do trânsito e do direito penal, por exemplo, que abrangem todo o território brasileiro.
Portanto, o meu recado é: pense e repense constantemente quem são os seus candidatos hoje, sejam eles quem forem. O fato é: você, eleitor(a) tem sua própria prioridade para a mudança social, seja algo concreto, moral ou mesmo de esperança em uma pessoa que possa reunir as qualidades que a sociedade precise hoje.
Pensar política é sempre pensar no bem público e nas necessidades mais urgentes da coletividade. Dito isso, que venha outubro com muita consciência crítica para o Brasil.
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