
A Meta fechou um acordo histórico de US$ 17,14 bilhões (cerca de R$ 88 bilhões) para encerrar um processo movido por dezenas de estados norte-americanos. A empresa era acusada de projetar o Instagram e o Facebook de forma deliberada para induzir o uso compulsivo e causar danos à saúde mental de crianças e adolescentes. O entendimento foi homologado em um tribunal federal na Califórnia e prevê o pagamento do montante ao longo de dez anos, além da implementação de profundas mudanças operacionais no ecossistema de seus aplicativos.
Como parte dos compromissos assumidos, a companhia passará a aplicar um limite máximo automático de duas horas diárias de uso para contas de menores. O acesso e as notificações serão suspensos durante a madrugada, entre 0h e 6h, e haverá restrições para a entrega de alertas em horário escolar, entre 8h e 15h. Para reduzir o apelo visual e os estímulos de engajamento, a exibição pública do número de curtidas e reações será removida para adolescentes, o recurso de reprodução automática de vídeos passará a vir desativado por padrão e os usuários poderão optar por um feed em ordem cronológica, sem a interferência dos algoritmos de recomendação.
A Meta também se comprometeu a aprimorar suas ferramentas de inteligência artificial para verificar a idade dos usuários, visando impedir o cadastro de menores de 13 anos e identificar com exatidão perfis de jovens abaixo dos 17 anos. Do montante total pactuado, cerca de US$ 16,7 bilhões atendem diretamente às demandas sobre dependência digital, enquanto US$ 459,3 milhões encerram em definitivo investigações estaduais associadas ao caso Cambridge Analytica. A negociação abrangeu a quase totalidade dos estados dos Estados Unidos, à exceção de jurisdições como Texas e Novo México, que optaram por tratativas individuais. Em nota, a Meta declarou satisfação com o encerramento do caso e defendeu que exigências equivalentes sejam estendidas a concorrentes do setor.

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