19°C 25°C
Vitória, ES

Dois lados e um destino?

Caros leitores, passada a eleição, hoje a reflexão parte de dois aspectos espinhosos de nossa eleição: medo e polarização.

29/10/2026 às 16h04 Atualizada em 29/10/2026 às 16h11
Por: Redação
Compartilhe:
Dois lados e um destino?

Em poucos anos o debate político brasileiro foi reduzido a uma escolha binária: de um lado o PT, de outro o PL e o bolsonarismo. O que deveria ser uma disputa de projetos virou uma disputa de identidades, em que votar tem menos a ver com propostas e mais com a rejeição ao outro lado. Vota-se para impedir a vitória do adversário, não para escolher quem governará melhor.

Os males são concretos. O primeiro é o empobrecimento do debate público: temas complexos, como reforma tributária, segurança, educação e equilíbrio fiscal, cedem lugar a slogans, ataques pessoais e desinformação. O segundo é o rompimento de laços sociais, com famílias que deixam de se falar e amizades desfeitas. A divergência, saudável numa democracia, passa a ser vista como ameaça moral, portanto geradora de medo. O terceiro é a paralisia institucional: governos gastam energia numa guerra permanente com o Congresso, o Judiciário e a imprensa, e o país perde a capacidade de formar consensos sobre o longo prazo.

A polarização também retroalimenta os extremos. Cada lado usa o outro como justificativa para o próprio radicalismo e para exigir lealdade irrestrita. Erros e escândalos são relativizados porque "o outro é pior". Sem o risco de perder eleitores, os partidos dominantes têm pouco incentivo para se corrigir.

Por isso é necessário fortalecer outras candidaturas. Uma democracia saudável depende de alternativas reais, capazes de competir, e não de nomes que existem apenas para marcar presença no primeiro turno. Candidaturas de centro, de centro-direita, de centro-esquerda ou de outras correntes dão ao eleitor a chance de escolher algo, e não só de rejeitar outro. Elas ampliam o leque de ideias, obrigam os maiores a dialogar e favorecem coalizões construídas em torno de programas, não de ódios.

Obviamente isso exige partidos que formem bons quadros, renovem lideranças e apresentem propostas claras o ano todo, não só em período eleitoral. Exige também um eleitorado disposto a olhar além do voto útil e a cobrar resultados de todos, inclusive de quem simpatiza.

O Brasil é grande e plural demais para caber em duas trincheiras. Reconstruir o meio-campo político não é negar divergências, mas devolvê-las ao seu lugar: a disputa democrática de ideias.

Posto isso, meu convite é para buscarmos ser mais cautelosos com o que dizem os candidatos e evitarmos que emoções formem nossos votos. Não percamos de vista o que realmente nos importa na política, que é a construção de uma agenda pública real, e não a mera troca de acusações.

Thomaz de Castro
Sobre o blog/coluna

Thomaz de Castro é doutor em Comunicação Social pela UFMG e pesquisa política e tecnologia de informação há mais de quinze anos. Apreciador de um bom debate, tem como causa principal a formação crítica e a transformação da sociedade pela educação, tendo como foco o preparo da sociedade para a cidadania.
Ver notícias
Vitória, ES
24°
Tempo nublado

Mín. 19° Máx. 25°

24° Sensação
20.38km/h Vento
69% Umidade
0% (0mm) Chance de chuva
05h00 Nascer do sol
17h48 Pôr do sol
Sex 24° 21°
Sáb 26° 22°
Dom 23° 22°
Seg 27° 22°
Ter 25° 22°
Atualizado às 17h01
Economia
Dólar
R$ 5,38 +0,56%
Euro
R$ 6,01 +0,75%
Peso Argentino
R$ 0,00 +3,12%
Bitcoin
R$ 449,979,00 -2,95%
Ibovespa
169,186,42 pts -1.06%
Publicidade